A Permacultura pode salvar o mundo?
23 Set 2006 por Nina Rodrigues em Permacultura“Se todos quisessem, tudo mudaria sobre a Terra num momento”, escreveu o poeta russo Dostoievski em sua narrativa fantástica intitulada O sonho de um homem ridículo, animando-nos a refletir sobre os meios de que dispomos agora para salvar o mundo da grande ameaça que a humanidade representa hoje para a vida no planeta,
inclusive a própria vida humana. Para nós, permacultores, a questão exige centralidade porque dela depende a nossa prática, os nossos agires e o desenvolvimento do território recém descoberto da Permacultura.
Com efeito, acreditamos no potencial teórico e prático deste sistema, afinal, foi ele que nos ofereceu a ética, os conceitos, os princípios e métodos de design necessários para trabalharmos pela sustentabilidade da Terra. Por isso mesmo, o primeiro grande desafio será o de fazermo-nos co-criadores e co-responsáveis pelos rumos da Permacultura no Brasil e no mundo.
Nós que herdamos e incorporamos em nossas vidas os marcos estabelecidos por Bill Mollison e David Holmgren, podemos e devemos explorá-los até alcançar as cone-xões mais distantes, até o ponto em que nos seja possível deslindar novos problemas à luz das nossas próprias descobertas (individuais e coletivas). Podemos e devemos ir além dos limites alcançados pelos pioneiros, porque, é preciso admitir, os trabalhos pioneiros, como dizia o psicoterapeuta austríaco Carl Jung, apresentam desvantagens: “Perambulamos por regiões desconhecidas; somos desviados do caminho por analogias, perdendo repetidamente o fio de Ariadne”.
A segunda geração da Permacultura tem condições de chegar a conclusões e percepções mais avançadas, de regenerar a teoria, trazendo algo de novo para ela. “Uma teoria não é algo inerte, não é uma coisa, mas algo que necessita regenerar-se a si mesma, reencontrar as virtudes originais, as suas virtudes fundamentais”, diz o professor francês Edgar Morin.
Será preciso ainda pôr em prática estratégias sugeridas por Bill Mollison no Designer’s Manual (ainda sem tradução no Brasil) e que ainda não foram validadas, a fim de podermos oferecer ao mundo mais daquilo que é um dos grandes valores da Permacultura: tecnologias apropriadas à sustentabilidade.
Na qualidade de co-criadores e co-responsáveis, haveremos também de assumir verdadeiramente a ética que nos foi legada - de solidariedade e de cuidado com a Terra e com as pessoas, fundada sobre fatos históricos e dados sociais, econômicos, políticos e ambientais estarrecedores, que nos colocam num ponto decisivo da história da biosfera e da história da humanidade. Este é o nosso segundo grande desafio: permitir que os princípios éticos da Permacultura inspirem todas as nossas ações.
Ética, consciência e espiritualidade
O aparecimento da ética na biosfera deu-se ao mesmo tempo que o da percepção consciente. Juntas, consciência e ética são a forma espiritual da existência, que não estava representada na biosfera antes de nós, seres humanos. Antes do início da Era Cristã, segundo o historiador inglês Arnold Toynbee, o ser humano já tinha consciência de que a biosfera é um invólucro finito em torno da superfície do globo, mas a verdade é que, até o terceiro quartel do século XX, a humanidade havia subestimado o seu recente aumento no poder de perturbar o delicado equilíbrio de forças, auto-regulador e auto-preservador, do sistema Terra.
A Permacultura parte de uma visão ética integradora e holística, capaz de nos guiar na direção de um futuro sustentável, com a perspectiva de permanecermos na biosfera por mais dois bilhões de anos. Com efeito, o conjunto das nossas aspirações, valores e princípios devem reunir todos aqueles que acreditam nas forças de conjunção, que solidarizam, fraternizam e universalizam. Afinal, a natureza, que inspira as atitudes, as relações e o trabalho dos permacultores, não conhece exclusão.
Cabe a nós considerar as interdependências entre natureza, humanidade, pobreza, degradação ambiental, injustiça social, conflitos étnicos, paz, democracia e crise espiritual. Cabe a nós reconhecer, além da materialidade humana, a subjetividade e a espiritualidade, sem as quais não seremos capazes de reformar nossos pensamentos e nossas atitudes.
Ignorar as dimensões subjetiva e espiritual do ser humano e o seu sentimento de religiosidade é minar o fundamento de uma ética universal, assegura Leonardo Boff em seu livro Ethos Mundial – Um consenso mínimo entre os humanos. “Só setores racionalisticamente arrogantes da sociedade mundial desprezam esse tipo de argumentação, seja porque perderam o acesso à experiência do sagrado e do religioso, seja porque vivem alienadas da vida concreta de seus povos.” Até mesmo os politólogos percebem a importância das religiões para as políticas globais. P. Huntington escreveu: “No mundo moderno, é a religião uma força central, talvez a força central que motiva e mobiliza as pessoas.”
Os grandes textos sagrados abrem caminho para que nos tornemos perma-cultores, exortando-nos a rejeitar as solicitações do mundo moderno de dedicação ao acúmulo de riqueza e poder, como fizeram os fundadores da Permacultura. No Evangelho de Mateus, por exemplo, encontramos: “Olhai os lírios do campo como crescem: não trabalham nem fiam. Digo-vos que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.” O Tao Te Ching, escrito na China por volta do século VI a.C., adverte-nos: “Entesa um arco ao máximo e desejarás ter parado a tempo”. São preceitos pregados e praticados por homens santos que, quando são aceitos como regras práticas de conduta por pessoas conscientes da presença espiritual que está por trás dos fenômenos, levam à mudança no coração - a única que será capaz de nos fazer redimir a Mãe-Terra pela vitória sobre a cobiça agressiva e suicida dos poderosos.
A Permacultura nasceu inspirada nos poemas de Lao-Tse, segundo o próprio Bill Mollison: “Por amor e respeito pela Terra, eu desenvolvi uma filosofia próxima ao Taoísmo, baseado na minha experiência com sistemas naturais”. Sem dúvida, ele concordaria com as palavras do filósofo Huberto Rohden: “Somente quando o homem possui a reta experiência cósmica do seu Ser, pratica ele a reta vivência ética no seu agir.”
Responsabilidade social e ecológica
A ética da Permacultura supõe a restauração do sujeito responsável, comportando a exigência do auto-exame, a consciência de nossa parcela de responsabilidade sobre o destino planetário, e não somente no que diz respeito ao presente, mas também ao futuro. “Devemos nos sentir responsáveis – como se a luta por inteiro dependesse unicamente de nós -, mas também não-responsáveis por todas as barbáries cometidas por inconsciência ou vilania”, assevera Edgar Morin.
Além de buscar a garantia das condições para a sustentação da vida na Terra, será preciso salvaguardar o pobre, o oprimido, o marginalizado e o excluído, que são os seres mais ameaçados do planeta. Os permacultores precisamos pensar também no design social, se quisermos exercer plenamente nossa função de jardineiros, fundada no princípio da res-ponsabilidade e da reverência diante da vida. A ética do cuidado e da solidariedade pode ser assumida conscientemente num projeto político em favor dos direitos humanos e da natureza.
Amor, poesia e sabedoria
O enfrentamento dos grandes desafios contemporâneos da humanidade consiste na construção de uma cultura que nos permita religar o pensamento racional, empírico, técnico e também o saber simbólico, mitológico e mágico, fazendo o intercâmbio dos valores para atualizá-los, colocá-los em sintonia com o mundo no qual vivemos, com as questões vitais que nos são postas. Será preciso, por exemplo, abrir mão da mitologia do progresso, que ainda existe como uma lei da história segundo a qual a ciência e a técnica têm a missão providencial de solucionar todos os problemas humanos. Sabemos hoje dos limites de um e de outro.
Teremos que reaprender a aprender. Reaprender é mudar as estruturas do pensamento, e a Permacultura nos lança este desafio, oferecendo-nos o pensa-mento sistêmico e a idéia de síntese entre ciência e sabedoria popular, convidando-nos a acordar de um estado de sonolência povoado de racionalizações.
Reordenar o pensamento é, além de assumir a ética do cuidado e da solida-riedade, deixar-se mover por uma compreensão poética da vida, que permite entender as pessoas como seres de desejo, de amor, de relação - os únicos que so-nham acordados e são capazes de cons-truir, não “o melhor dos mundos, mas um mundo melhor”, segundo Morin.
A poesia é matéria para um novo aprendizado das coisas. Permite-nos ver o mundo pelo avesso, e o avesso pelo mundo, para que as pessoas possam, “em pleno uso da poesia”, funcionar “sem apertar o botão”, como nos ensina o poeta Manoel de Barros.
A ética como estética da vida e do pensamento nos levará aos caminhos da transformação necessária à salvação do mundo. Mas para assumir um projeto de tamanha grandeza, os permacultores precisaremos multiplicar esforços para abrir a Permacultura à coletividade, dialogar com os governos, com as organizações multilaterais e não-governamentais e com as mais diversas tradições científicas e espirituais. Precisaremos nos engajar em movimentos sociais que lutam por justiça e paz, e, ao par de tudo isso, ainda será preciso alimentar-nos cons-tantemente de amor, “uma das grandes invenções humanas”, no dizer de Otávio Paz. Haveremos de nos investir de paixão e coragem para fazer a caminhada.

los felicito, animo, que la fuerza, la luz y el amor nos acompañen siempre.
Nina
Belo artigo! Outro mais… Obrigada!
Sem dúvida, se cada um de nós resolvesse, a coisa mudaria rapidinho, né…
Um beijo
Suzana
22/02/07
o capitalismo e consumismo é mais forte que essa tal permacultura seremos 10,9 bilhoes em 2050. não sei até quando o mundo aguentará, não chegaro a 2 bilhoes de anos com certeza
Que texto maravilhoso, que citacoes felizes… e que fontes?!
Permacultura pode salvar o mundo sim, e já está salvando…
Mas quero salientar que a permacultura no Brasil vai dar um grande salto, quando em breve trabalhar com a Terapia Comunitária de Adalberto Barreto, que já anda fazendo forte da fartura de gente ociosa e carentes belos jardins de redes sociais. . .
beijos bracos e abracos para meus irmaos!
Osmar
Acredito na Permacultura.
Mas como a desgraça do capitalismo infecta tudo e qualquer idéia… Quem tem o conhecimento cobra muito caro para passá-lo.
Que brasileiro tem grana pra fazer um curso no IPEC em Pirenópolis, por exemplo?
Eu ñ tenho.
Mas estou feliz, há alguns dias atrás achei o livro Manual do Arquiteto Descalço pra download, um outro eu scaneou e disponibilizou na rede!
Vlw!
concordo que o abraço capitalista ja domina logo de inicio qualquer ideia relacionada ao tema, e realmente são caros e raros os conhecimentos nesta area…
de qualquer modo , tentamos, com essa chave, mudar o rumo da humanidade; mais falar em destino do planeta é muito mais amplo e complexo do que as pequenas atitudes permaculturais que de fato podem nos trazer uma vida soberana e sustentavel…
abraçoo cid neto
Pessoal, adorei o texto. Não fiquemos pessimistas… Os valores do capitalismo podem estar em plena ascensão, mas no auge do yang vêm a ascensão do yin, e assim o Universo restaura a harmonia do Tao…
Continuemos na luta, trabalhando e lutando por um mundo melhor, que nossas sementes hão de germinar nas gerações vindouras, e uma nova civilização nascerá…
Ainda não fiz nenhum curso de permacultura, tenho pesquisado apenas pela rede, mas EU ACREDITO!!!! A PERMACULTURA VAI MUDAR O MUNDO!!!
Salaam Aleikun (Que a paz de Deus esteja convosco)
INTERESSANTE A MATÉRIA SOBRE PERMACULTURA. INFELIZMENTE AINDA POUCO ACESSÍVEL À MAIORIA DAS PESSOAS QUANTO AS INFORMAÇÕES E, POSSIBILIDADE DE REALIZAR CURSOS DE FORMAÇÃO SOBRE O ASSUNTO. TENHO INTERESSE EM RECEBER MATERIAL E, QUIÇA UM DIA VIR A PRATICAR A EXPERIÊNCIA NO ESTADO EM QUE RESIDO ATUALMENTE(AMAPÁ-MACAPÁ).
OBRIGADO
Olá. Muito legal o artigo! Parabéns. Tenho pesquisado bastante sobre o tema, refletido muito! Fico extremamente feliz de ter a oportunidade de participar de um trabalho como este!
Abraços!
olá amigos,sempre pensei em uma forma harmoniosa que mudasse-nos de dentro para fora…atingindo assim uma consciência planetaria de vida, o todo enfim,infelismente ainda temos alguns contratempos, essa busca pelo dominio da informação,o dominio da energia que emanamos principalmente…más esse é o nosso caminho…quando não formos mais donos de nada…tenhamos força e fé para viver essa cultura. paz amor e bom humor. axé
Bom dia, em minhas caminhadas pela internet na pesquisa do assunto permacultura, percebí que a muito tempo atrás, no tempo de escola, as aulas de biologia nos davam bases sobre cadeia alimentar dos animais, a vida dos animais microscópicos, etc. Hoje, tudo aquilo faz sentido, e o que achei mais interessante foi o destino dos dejetos humanos, o daquele líquido cinza que sai da pia da cozinha para a caixa de gordura e a construção de casas com recursos do local(barro, palha, etc).
Se todos, começando aos poucos tendo atitudes ecológicas e divulgando as idéias da permacultura, não teremos o que temer, o mais importante é divulgar, mostrando os resultados, por exemplo, da reciclagem da água, captação da água da chuva, da máquina de lavar roupa, uso de sabão caseiro, uso do lixo doméstico como adubo, etc.
Parabéns a todos que fazem este bonito trabalho e bons frutos.
Willian - Pres. Prudente-SP
Prezados,
Acredito que não é a permacultura que vai salvar o mundo, mas é um belo passo nessa direção !
Derrubar o capitalismo confrontando-o de frente é impossível e insano, pois precisamos dele.
O que sugiro é o equilibrio entre capitalismo e sustentabilidade! Não adianta, não vou fabricar papel, nem escova de dente, então precisarei sim de uma empresa que fabrique os mesmos!
O que devemos combater é a ignorância da população. Uma sociedade consciente e ativa não permite que empresas ou governo dominem o mundo. Um exemplo que permeia minha imaginação é de um dia todos tomarem a consciência de diminuírem o uso de seus automóveis… uma atitude coletiva que com certeza enfraqueceria a indústria petrolífera e automobilística, e os fariam repensar suas atitudes diante do Nosso Planeta.
Mudar o pensamento da população, mudar pensamentos do tipo “a vida sempre foi assim…. isso sempre aconteceu…. não tem como mudar… nasci assim…. cresci vendo isso…. etc etc” é tarefa árdua e as vezes dá vontade de desistir, pois a grande maioria da população é muito resistente à mudanças e não pensam muito no bem-estar coletivo.
Divulgar a sabedoria é a chave do sucesso para nosso planeta! E atitudes como a da permacultura ajudam na disseminação dessa sabedoria.
Acredito sim que temas dessa natureza devam ser bem mais divulgados, pois tem muita gente que tem vontade de mudança e não sabe como mudar, não tem o instinto, não tem o empurrão necessário!
Tem muita gente pronta para se alistar neste exército de boas intensões em defesa à vida.
E divulgar uma informação nem sempre custa caro!
Vamos dar o exemplo, demonstrando caráter e sabedoria!
Divulgar para todos, soltar essa semente em conversas sem compromisso com o porteiro do prédio, com o trocador de óleo do carro, com o faxineiro do serviço, com qualquer pessoa que cruze nossa vida. Nem todos serão receptivos, mas não custa jogar a sementinha. Quem sabe ela brota!
espero ter colaborado! do contrário excluam meu comentário !
Abraço a todos!
O Caos do capitalismo está próximo. Todo sistema um dia chega ao fim pela sua imperfeição e contradições inatas. A permacultura é uma solução para a salvaçao do mundo. Não digo que teremos um mundo igual ao idealizado por muitos como na musica Imagine de John Lennon, mas provavelmente chegaremos proximos disso. O nosso planeta ainda pode se regenerar é só darmos o discanço necessário. E claro divugarmos mais sobre o assunto e pesarmos positivo que tudo dará certo. =)
Muito bom o artigo. Muito esclarecedor,didático, acadêmico, popular, cientifico, poético,um apelo a razão,a sensibilidade, de facil compreensão. Como obter mais detalhes para contato de ong no Rio de Janeiro-RJ Adhemar adhemarnaveira@oi.com.br
Nina parabéns pelas palavras.
Infelizmente ainda somos poucos a pensar sobre o assunto, a agir menos ainda, mas isso é outra estória. O importante é que acordamos pra verdade, pra mim foi difícil chegar a ter pensamentos construtivos como o seu, mas eu consegui (vender a minha TV foi o marco inicial), pensar sobre o mundo , sobre a vida, sobre tudo(parece simples mas não é). Meu objetivo agora é ampliar esse conhecimento, disseminar essa cultura e promover mudanças.
Nós somos responsáveis por o mundo estar assim hoje, e só nós poderemos salvá-lo.
A permacultura é um caminho.
Ola pessoal..!infelizmenteo o mundo capitalista do consumismo e obsoletismo imediato e quem dita as regras e do caminho que mundo e o futuro do homo sapiens deve seguir,se continuarmos nesse caminho o planeta não suportara.Mas acredito sim na permacultura,porem acho que que esta pratica deva ser difundida.Sou estudante de agronomia e estou em fase de alaboraçao de um trabalho de conclusão de curso sobre esse tema(permacultura),quem puder me mandar informaçoes(francavadson@bol.com.br),ou indicar saite e livros eu agradecerei.
Fiquei maravilhada ao descobrir a comunidade Permacultura, já imaginei que poderia ser um meio a mais e diferente à sustentabilidade do SOS Terra. Mas devemos cada um fazer sua parte consciente e responsável, excluindo as palavras de desânimo e pessimismo que nos cercam, geralmente provindas de pessoas ligadas ao meio elitizado, político que “pensam” que tem “cultura”, à “capitalista” só isso, mais nada que geralmente são subordinados, seja por pouco,por nada,ou por muito, mal sabem que são partes responsáveis do efeito estufa e outros destruidores de partes essenciais à sobrevivencia natural, infelizmente a ‘cegueira ‘ afeta-os, muitos ou poucos veem-se sem saída, mas lutamos semeando sementinhas conscientes que gostam de espalhar pelos ventos, por luzes, ao tatear, ao ‘cheirar’e ou degustar palavras de mudança, união, ação e atitude já, que ‘SEMENTES’ POSITIVISTAS retornem às consciências dominadas, dominadoras, dominantes, médias, fracas, sem, … Obrigada por todos os textos.